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Crítica / Securitização

- terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Livro reabilita operações financeiras supersofisticadas

 

Mecanismo da securitização atende evolução do mercado, dizem autores

 

OS AUTORES DO LIVRO PRETENDEM ESPANAR DO NOME A INFÂMIA PARA QUE A UTILIDADE PRIMEIRA DO NEGÓCIO TORNE A SOBRESSAIR

 

DENYSE GODOY
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

 

Como se já não fosse suficientemente feio por si, o termo securitização entrou em definitivo para o dicionário dos palavrões três anos atrás, quando sintetizou o emaranhado financeiro que deu origem, nos EUA, à grave crise mundial até agora infinda.

 

O conceito é de certa maneira novo -surgiu no início da década de 1980, por obra do corretor de valores mobiliários americano Lewis Ranieri. Mas já se realizavam operações do gênero na Itália desde o século 12.

 

Por exemplo, em Gênova, quando precisavam de recursos para estruturar uma nova frota naval, os gestores públicos transferiam para um grupo de investidores seus direitos sobre a arrecadação futura de impostos em troca da verba imediata.

 

Relatando essas histórias do lastro de realidade das operações, os economistas Cláudio Gonçalves dos Santos e Luiz Roberto Calado pretendem, no livro "Securitização", espanar do nome a infâmia para que a utilidade primeira do negócio volte a sobressair.

 

Missão com a qual, aliás, todos os membros do setor se mostram comprometidos, a julgar pelos vários depoimentos que introduzem a obra, assinados por atuais e ex-representantes de órgãos reguladores, da Bolsa, dos investidores, dos bancos. Não faltou ninguém.

 

No entanto, pela objetividade e pelo tom sóbrio -às vezes demais- do texto, tal consenso fica parecendo apenas natural.

 

Afinal, um dia, o batido prognóstico de esgotamento dos montantes disponíveis no sistema para o crédito imobiliário tem que se concretizar.

 

Também consequência do desenvolvimento da economia do país, vai aumentando o número de empresas que não conseguem captar pelas vias atualmente disponíveis todos os montantes de que necessitam para crescer.

 

DIVERSIFICAR

 

Do outro lado, com a queda da taxa básica de juros ao longo do tempo, investidores de todos os tamanhos buscarão outros instrumentos que lhes permitam diversificar suas aplicações e conseguir retornos melhores.

 

Na interseção desses interesses surge a curiosidade a respeito das transações mais sofisticadas.

 

Manual pedagógico que se propõe a ser, o livro menciona as turbulências de 2008, porém desvia de juízos e deixa que o leitor tire suas conclusões.

 

Trata de explicar didaticamente títulos e produtos -CDO, FDIC, FII, CRI-, complementando com as devidas passagens da legislação e comparando as práticas brasileiras com as existentes em outros lugares.

 

Deve, assim, virar referência tanto para o público leigo quanto para o especializado, pois os demais registros relevantes sobre o tema datam de antes das profundas transformações que, paradoxalmente, ora justificam o esforço de restabelecimento do papel da securitização.

 

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