In company - Cresce procura por programas criados sob encomenda - Valor Econômico

 Há mais de dez anos no mercado, a escola de negócios Saint Paul abriu suas portas com cursos criados sob medida para empresas, os chamados programas "in company". Pouco tempo depois, os cursos abertos passaram a fazer parte do negócio, mas o modelo "in company" continua bastante representativo, chegando a responder por 50% da operação da escola.

Com foco inicial em programas de finanças, controladoria e contabilidade, a Saint Paul aos poucos foi incorporando outras áreas aos seus cursos, como gestão de negócios. Hoje, os programas mais procurados estão nessa segunda vertente. "Os mais pedidos no modelo 'in company' são os cursos ligados à gestão comportamental com liderança", diz José Cláudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios.
Outra mudança que se nota nos últimos anos está nos programas técnicos. Antes, segundo Securato, a tomada de decisões nas organizações ficava muito restrita ao pessoal do financeiro, que fazia análise de risco dos projetos. "Hoje, os executivos da operação também precisam estar preparados para tomar decisões importantes", afirma. Assim, mudou o perfil de quem frequenta os programas ligados a áreas mais técnicas. "As empresas querem desenvolver executivos de diferentes áreas para serem bons tomadores de decisão, e isso passa por uma capacitação técnica mais elevada".
Diante desses cenários, os cursos "in company" da Saint Paul seguem com crescimento expressivo. Segundo Securato, o segmento dentro na escola dobrou de tamanho no primeiro semestre de 2014 na comparação com todo o ano passado. "Somos uma escola que cresce muito rápido e atribuo isso à nossa capacidade de fazer uma customização profunda para as empresas, com simulações e casos práticos do dia a dia do funcionário", diz.
Os cursos desenvolvidos de acordo com as especificidades dos clientes podem abranger grandes grupos de alunos - "já fizemos um programa para 1.500 pessoas, quando houve a fusão de duas concorrentes" - ou serem específicos para um executivo sênior de uma organização, com aulas individuais. Na média, no entanto, as turmas têm entre 30 e 40 alunos.
Levando em conta o número de alunos, a complexidade do tema e a carga de customização, os valores dos cursos "in company" podem ser bem variáveis, de R$ 1.500 a R$ 3.500 por hora de curso, no caso da Saint Paul.
No Mackenzie, que também atua no setor de cursos customizados para empresas há mais de uma década, os critérios para estabelecer os valores dos programas "in company" são semelhantes, mas a maneira de cobrar é outra - por aluno e não por hora. Segundo Waldomiro Barbosa Júnior, gerente do Mackenzie Soluções, o braço de cursos "in company" da escola paulista, um programa customizado de 18 meses, custa a partir de 21 parcelas de R$ 690. "Às vezes a empresa arca com todo o valor, mas também há casos em que paga apenas parte e o restante fica com o funcionário", diz.
O crescimento do Mackenzie Soluções também é expressivo, chegando a 50% por ano, de acordo com Barbosa Júnior. "O mercado está cada vez mais competitivo e as empresas precisam de especialistas para sobreviver", afirma o professor, justificando o crescimento da instituição. Entre os programas mais procurados, ele cita gestão de projetos, gestão pública, cursos relacionados à área do direito e logística. Cada turma formada recebe cerca de 30 alunos e entre as empresas que já contrataram os serviços do Mackenzie Soluções estão Santander, Itaú Unibanco e Capgemini.
Por ser uma universidade, o Mackenzie tem em seu expertise uma ampla gama de áreas educacionais e assim oferece no modelo "in company" cursos de arquitetura e urbanismo, administração, estratégia e gestão, comunicação e letras, controladoria e finanças, direito, engenharia, marketing, mercados financeiros, tecnologia da informação e vendas. Ao fazer a customização, a escola analisa as necessidades do cliente junto com os executivos da empresa e substitui as disciplinas para que o programa fique dentro da expectativa da companhia. Ele afirma que, de uns tempos para cá, observou que muitas empresas já chegam à escola com um diagnóstico do que precisam e pedem à escola um solução para isso. "São programas desenvolvidos a quatro mãos, com professores e executivos", afirma Barbosa Júnior.
José Mauro Gonzalez, diretor de programas corporativos e internacionais da BSP - Business School São Paulo, também notou mudança semelhante na procura por cursos "in company" na escola. "Antes, as empresas eram mais generalistas quando nos pediam um programa customizado. Hoje elas chegam com um diagnóstico dos gaps de competências de seus funcionários", diz Gonzalez.
Com um leque amplo de cursos, a BSP oferece aos seus clientes desde programas de curta duração, com 8 ou 16 horas de aula, até pós-graduações e MBAs com um ano e meio de duração. Como diferencial da instituição, Gonzalez cita a possibilidade de desenhar programas com módulos internacionais, o que é possível graças às parcerias da BSP com escolas do exterior - a BSP integra o grupo americano Laureate. Entre as empresas que já encomendaram cursos customizados para a BSP estão Sabesp, Avaya, Bradesco, Bayer e Carrefour.
A Anhembi Morumbi, outra escola do grupo Laureate, ingressou no segmento de programas customizados para empresas em 2004, quando adaptou para a TAM um curso de graduação em aviação civil que já fazia parte da grade da escola. "Foi uma necessidade da companhia aérea, que queria capacitar e preparar seus pilotos para assumir cargos de liderança", afirma Thiago Dantas, gerente de matrícula para corporativo da Universidade Anhembi Morumbi.



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