Disputa árdua para entrar nos rankings

 Fazer parte da prestigiosa lista das 70 melhores escolas de educação executiva do mundo não é para qualquer um. Ainda mais se este ranking é minuciosamente montado pelo jornal "Financial Times" (FT), que considera mais de 15 medidas e utiliza critérios extremamente rigorosos de classificação.

As escolas brasileiras se esmeram para constar na lista de instituições renomadas como Harvard, Stanford, MIT, Insead e London Business School. Como não há levantamento específico, estima-se que existam cerca de 3,5 mil escolas de negócios no mundo. Destas, 1,1 mil tentam todos os anos conquistar seu lugar no ranking do FT, que, neste caso, avalia especificamente cursos abertos e customizados para executivos, mas é dono também de outra listagem, ainda mais disputada, a dos melhores MBA do planeta.

E as escolhas não são feitas só com base nas análises de um colegiado eleito para esta função. Os principais critérios classificadores vêm da avaliação dos próprios alunos da instituição de ensino e das empresas que as contrataram. São os participantes dos cursos os principais responsáveis pelo status que a instituição terá ao analisarem a preparação e eficácia da escola no campo do ensino e pesquisa, concepção do programa, métodos, matérias, relevância, qualidade do ensino, extensão do aprendizado no ambiente de trabalho, expectativas alcançadas, instalações adequadas, participação de alunos estrangeiros, utilização internacional do programa e escolas parceiras de outros países.

Com base nessas respostas, totalmente sigilosas, o FT monta a linha classificatória das escolas. Todos os itens pesam matematicamente na posição que a instituição irá ou não ocupar no ranking. Das brasileiras, somente quatro escolas (Fundação Dom Cabral, Insper, Saint Paul e Fundação Instituto de Administração -FIA) conquistaram seu lugar ao sol.

A FDC, apesar de ter caído 11 posições em relação ao ano passado, é a mais bem colocada, em 27º lugar nos cursos customizados e 23º nos abertos, e não esconde o quanto essa classificação traz orgulho para a instituição. "Imagina uma escola brasileira e além de tudo mineira estar nesta lista. Sim, porque Minas Gerais é mais longe que os outros lugares", brinca Paulo Resende, diretor executivo de programas abertos e pós-graduação da FDC.

A instituição, que existe há 38 anos, é uma das poucas que têm parceria exclusiva há 20 anos com a Kellogg, dos EUA, e a Insead, da França. Este, aliás, é um dos pré-requisitos para estar no ranking do FT. "Os critérios nos quais fomos mais bem avaliados foram 'objetivos atingidos', ' uso futuro do aprendizado', 'relação custo benefício' e 'desenho do programa'", afirma Resende.

O ponto frágil da FDC, porém, foi considerado o seu nível de internacionalização. Este é de fato o item que mais tira pontos das escolas brasileiras. O baixo nível de estudantes estrangeiros que frequentam as escolas e a baixa publicação nas revistas científicas internacionais. Dos 35 mil executivos que frequentaram as aulas da FDC no ano passado, somente 800 são de outros países. Os custos dos cursos abertos da instituição mineira costuma variar de R$ 12 mil a R$ 90 mil, com carga horária que vai de uma semana a dois meses. Um dos cursos mais procurados por estrangeiros na FDC é o 'jornada do aprendizado', em que empreendedores e executivos de fora aprendem como fazer negócios no Brasil, considerando as particularidades econômicas, políticas, sociais, estruturais e fiscal.

Participando pela terceira vez no ranking, a Saint Paul Escola de Negócios, especializada na área financeira, é a 59ª colocada na classificação dos cursos abertos e perdeu cinco posições, em relação ao ano de 2012. "Nós não nos classificamos nos cursos customizados, apesar de ser relevante a nossa participação nesta área. Estamos em todos os grandes bancos e nas universidades corporativas das principais companhias abertas do país", afirma José Cláudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.

Securato tem como meta liderar o ranking dentre as escolas brasileiras listadas pelo FT em 10 anos. Para isso, está cuidando dos critérios como a não muito expressiva participação de estrangeiros nos cursos. "Eles representam hoje de 3% a 5% do total de alunos. Queremos aumentar esta participação."

A escola ficou em segundo lugar no item 'retorno do aluno', com 20% de executivos que procuram a escola mais de uma vez para se reciclar. No ano passado, mais de 10 mil executivos passaram por algum módulo de aprendizado desenvolvido pela Saint Paul. "O executivo volta porque quer lapidar as suas competências nas posições novas que vai alçando ao longo da carreira. 50% dos nossos cursos são in company. São cerca de 300 programas por ano", afirma Securato. Nos cursos mais longos, como o MBA em Finanças e Crédito, a Saint Paul tem uma parceria exclusiva com a Moody's, agência internacional de classificação de riscos. Além da Moody's Analytics, a Saint Paul conta com parceiros como a New York Institute of Finance e a European School of Management and Technology. Os cursos abertos da instituição custam, em média, R$ 30 mil, e os MBA, R$ 50 mil.

O Insper ocupou a 38ª posição nos cursos abertos e a 52ª nos customizados. Foram mais de 150 turmas com 3,6 mil executivos em programas que variam entre 16 horas a 270 horas. "Nós compensamos a baixa internacionalização com portfólio de cursos inovadores nas áreas de relações governamentais, relações corporativas e compliance, branding e futuring", garante Rodrigo Amantea, coordenador e diretor do Insper. Para melhorar a posição no ranking, a escola fechou parcerias com escolas como Center for Creative Leadership, Instituto de Empresa, New York University, Universidade Católica de Lisboa, ESCP Europe e Florida International University.



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