IA generativa nas empresas: como transformar tecnologia em resultado
EXAME Saint Paul
•17 de setembro de 2026

(Magnific/Reprodução)
A inteligência artificial generativa deixou de ser uma novidade tecnológica para se tornar parte da rotina de empresas e profissionais. Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, códigos e análises já são utilizadas em diferentes áreas. O desafio agora é transformar esse uso em valor para o negócio.
No Brasil, 71% dos trabalhadores afirmam ter utilizado inteligência artificial no trabalho no último ano, segundo pesquisa da PwC. Quase 30% dizem usar IA generativa diariamente.
Nesse cenário, a pergunta para as empresas já não é apenas se devem adotar IA, mas onde a tecnologia realmente pode gerar impacto.
O desafio de adotar IA com estratégia
A pressão para acompanhar o avanço da inteligência artificial pode levar empresas a testar ferramentas sem uma definição clara de objetivo.
Esse foi um dos pontos discutidos por Adriano Mussa, Ph.D. e reitor da Saint Paul, e Marcos Sanchez, Chief Technology Officer da instituição, no evento “IA Generativa: O que vem depois do hype?”.
A recomendação é começar pelo problema de negócio, e não pela tecnologia. A IA pode ser utilizada para aumentar produtividade, reduzir custos, melhorar o atendimento, acelerar análises ou apoiar decisões.
Mas cada aplicação precisa ter um objetivo e indicadores que permitam avaliar seu impacto.
IA generativa e produtividade
Os ganhos de produtividade estão entre os principais motivos para a adoção da tecnologia.
A IA pode assumir ou acelerar tarefas repetitivas, como elaboração de documentos, pesquisa, síntese de informações, atendimento inicial e organização de dados. Com isso, profissionais podem dedicar mais tempo a atividades que exigem julgamento, criatividade e interação.
Segundo a PwC, 83% dos trabalhadores brasileiros que utilizam IA relatam melhora na qualidade do trabalho e 79% afirmam ter obtido ganhos de produtividade.
Mas produtividade não significa apenas fazer a mesma tarefa mais rapidamente. O maior potencial aparece quando as empresas repensam o próprio processo de trabalho.
O impacto da IA sobre os empregos
A expansão da IA também modifica as competências exigidas dos profissionais.
Em vez de simplesmente substituir pessoas, a tecnologia pode automatizar determinadas tarefas e alterar a composição das funções. Isso aumenta a necessidade de reskilling e upskilling, além do desenvolvimento de competências como pensamento crítico, capacidade de análise, criatividade e tomada de decisão.
Para as empresas, o desafio é preparar as equipes para trabalhar com sistemas de IA, entendendo tanto suas possibilidades quanto suas limitações.
A capacitação também reduz um risco importante: utilizar ferramentas de inteligência artificial sem compreender quando seus resultados precisam ser revisados ou validados por uma pessoa.
O papel da liderança na adoção da IA
A implementação de inteligência artificial não é apenas uma decisão da área de tecnologia.
Líderes precisam definir prioridades, avaliar riscos e decidir quais processos devem ser transformados. Também precisam estabelecer regras para utilização, proteção de dados e revisão humana.
Essa participação é especialmente importante à medida que a IA deixa de apenas gerar conteúdo e passa a executar tarefas.
Os chamados agentes de IA podem realizar sequências de ações com maior autonomia, o que amplia as possibilidades de aplicação — e também a necessidade de governança.
Quanto custa implementar IA?
O custo da IA generativa vai muito além do preço de uma assinatura.
Em projetos corporativos, é preciso considerar ferramentas, infraestrutura, integração com sistemas existentes, qualidade dos dados, segurança, treinamento e manutenção.
Por isso, avaliar o investimento apenas pelo preço por utilização pode esconder parte relevante do custo real.
A análise deve partir do retorno esperado: quanto tempo será economizado? Que custos podem ser reduzidos? Qual impacto pode existir sobre receita, atendimento ou produtividade?
Um levantamento da AWS realizado em 2026 mostrou que apenas 33% das empresas brasileiras pesquisadas confiam na própria capacidade de medir o retorno dos investimentos em IA.
O próximo passo: redesenhar processos
A adoção mais madura de IA não consiste apenas em adicionar uma ferramenta a um processo existente.
Em muitos casos, é necessário repensar como o trabalho é realizado.
Esse movimento pode envolver a redistribuição de tarefas entre pessoas e sistemas, a automação de etapas repetitivas e a criação de novos fluxos de trabalho.
É justamente essa mudança que pode separar o uso experimental da IA de uma estratégia capaz de gerar vantagem competitiva.
IA generativa além do hype
A discussão sobre inteligência artificial nas empresas já mudou. O desafio deixou de ser descobrir o que a tecnologia consegue fazer e passou a ser decidir onde ela deve ser utilizada e como transformar essa capacidade em resultado.
Para isso, empresas precisam combinar tecnologia, estratégia, pessoas e governança.
A inteligência artificial generativa pode aumentar produtividade e transformar processos, mas seus resultados dependem das decisões tomadas antes e depois da implementação.
Como discutido no evento da Saint Paul, o diferencial não está em adotar IA simplesmente porque o mercado está adotando. Está em compreender o negócio, identificar oportunidades concretas e preparar a organização para trabalhar de uma nova maneira.

