Empreender na faculdade: como tirar um projeto da sala de aula e transformar em negócio
Raphaela Seixas
•15 de outubro de 2026

Empreender na faculdade costuma começar com um trabalho de disciplina que fica bom demais para morrer na nota. O problema é o passo seguinte, que é transformar uma apresentação de slides em algo pelo qual alguém pague. A graduação, com professores, colegas e tempo para errar, é um dos lugares mais baratos para fazer esse teste.
Os jovens ainda são minoria entre os novos empreendedores do país. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM) 2025, feito no Brasil com o Sebrae, 13,3% dos empreendedores em estágio inicial têm de 18 a 24 anos. Pela primeira vez na série histórica, o maior grupo é o de quem tem mais de 45 anos, com 33,7%.
Quem começa cedo tem uma vantagem que o mercado não oferece depois: o custo do erro é baixo. Veja como usar a faculdade para tirar um projeto do papel.
Comece pelo problema, não pela ideia
Projeto de sala de aula costuma nascer de uma ideia que parece boa para o grupo. Negócio nasce de um problema que incomoda alguém a ponto de essa pessoa pagar por uma solução.
Antes de pensar em logo ou nome, converse com quem vive o problema. Dez entrevistas com potenciais clientes dizem mais sobre a viabilidade do projeto do que qualquer pesquisa feita só com amigos.
Use as disciplinas como laboratório
Cada matéria do curso pode virar uma etapa do negócio. O trabalho de finanças vira a planilha de custos e preço, o de marketing vira o plano para conquistar os primeiros clientes e o de estratégia ajuda a mapear concorrentes.
Professores também são uma fonte de feedback gratuita. Em cursos de gestão, muitos deles têm experiência de mercado e conseguem apontar falhas que o grupo não enxerga.
Não é preciso CNPJ para validar uma ideia. Uma versão simples do produto, uma página de pré-venda ou um piloto com poucos clientes mostram se existe demanda real.
O sinal mais claro de que o projeto pode virar negócio é alguém pagar por ele. Curtidas e elogios de colegas não contam.
Escolha o time pelas habilidades, não pela amizade
Grupos de trabalho costumam se formar por afinidade. Para empreender, vale buscar quem complementa o que falta: alguém que entende de números, alguém que vende, alguém que faz o produto funcionar.
Combine desde cedo quem faz o quê e como fica a divisão da empresa se o projeto der certo. Conversas difíceis ficam mais difíceis quando há dinheiro envolvido.
Aproveite a estrutura que a faculdade oferece
Empresas juniores, competições e redes de empreendedorismo universitário funcionam como um campo de treino. Segundo a Brasil Júnior, o país tem mais de 1,4 mil empresas juniores, em 270 instituições de ensino superior, com cerca de 25 mil estudantes. Em 2024, elas faturaram mais de R$ 88 milhões.
Redes como a Enactus, de empreendedorismo social, reúnem 129 times e mais de 3 mil universitários no Brasil. Esses espaços dão ao aluno algo que a sala de aula sozinha não entrega: clientes reais e prazos de verdade.
A hora de abrir a empresa chega quando o projeto começa a faturar com regularidade, precisa emitir nota fiscal ou fechar contratos. Para quem está começando, o MEI costuma ser a porta de entrada, mas tem limite de faturamento e uma lista restrita de atividades permitidas. Vale conferir as regras no Portal do Empreendedor e conversar com um contador antes de decidir.
Uma graduação que já começa pelo projeto
Algumas faculdades passaram a tratar o empreendedorismo como parte da formação, e não como atividade extra.
Na graduação da Saint Paul, que abriu sua primeira turma em 2026, em São Paulo, o processo de admissão substitui o vestibular por análise de histórico, dinâmicas com casos reais e entrevista. Nos dois últimos anos, a carga de aulas pela manhã diminui para abrir espaço a estágios e projetos próprios.
Empreender na faculdade não exige ter a ideia perfeita. Exige começar enquanto errar ainda custa pouco.
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