Dinâmica em grupo no processo seletivo da faculdade: o que os avaliadores observam de verdade

Raphaela Seixas

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30 de outubro de 2026

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O profissional pode buscar novas habilidades a partir do feedback de recrutadores e ingressar na empresa em outro processo seletivo | Unsplash /

Na dinâmica de grupo do processo seletivo, falar mais não significa ir melhor. Quem avalia observa como o candidato raciocina, se comunica e constrói uma solução junto com pessoas que acabou de conhecer.

Na graduação em Administração da Saint Paul Escola de Negócios, na Consolação, em São Paulo, essa etapa tem nome: a Imersão Saint Paul Experience, um dia no campus em que equipes desenvolvem e apresentam um projeto empreendedor usando ferramentas de inteligência artificial.

Os avaliadores olham para cinco pontos: pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas, colaboração e a forma como cada candidato se posiciona diante de desafios. A imersão também tem uma redação.

Por que faculdades usam dinâmica em grupo?

Uma prova mede o que o candidato sabe. Uma dinâmica em grupo mostra como ele age: se escuta, se organiza a conversa, se sustenta uma ideia ou se percebe quando outra é melhor. São comportamentos que aparecem no trabalho em equipe da faculdade e, mais tarde, no mercado.

A Saint Paul usa a imersão como segunda das três etapas da seleção. Antes dela vem a avaliação integrada, que reúne nota de exame, histórico escolar, portfólio de atividades e vídeo de apresentação. Depois, uma entrevista individual online com a coordenação acadêmica.

“Queremos ter um olhar holístico do candidato para trazer aquele aluno que vai aprender a aprender”, disse Mila Securato, diretora executiva da Graduação da Saint Paul, à EXAME.

O que os avaliadores observam na Saint Paul Experience

Cada um dos cinco critérios aparece de um jeito concreto durante o dia.

  • Pensamento crítico: questionar uma premissa, pedir dados antes de decidir, apontar o risco de uma ideia que todos aprovaram rápido demais.
  • Comunicação: explicar uma proposta de forma que o grupo entenda na primeira vez e, na apresentação final, contar o projeto com começo, meio e fim.
  • Resolução de problemas: transformar uma discussão aberta em próximos passos e encontrar saída quando o plano trava.
  • Colaboração: construir sobre a ideia de um colega, dividir tarefas e abrir espaço para quem ainda não falou.
  • Postura diante de desafios: manter a calma quando o tempo aperta, aceitar críticas e mudar de rota sem perder o objetivo.

Com o projeto feito com ferramentas de inteligência artificial, entra mais uma camada. A ferramenta ajuda a pesquisar, gerar opções e montar a apresentação, mas as escolhas continuam sendo do grupo: o que perguntar, o que conferir, o que aproveitar e o que descartar.

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O que pesa em qualquer dinâmica de grupo

Os critérios da Saint Paul conversam com o que serviços de carreira de universidades descrevem para dinâmicas em geral. O guia de centros de avaliação da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, lista o que os avaliadores costumam buscar: contribuir para a discussão, articular as próprias ideias, ouvir as dos outros, dividir tarefas e mostrar uma liderança positiva.

O guia destaca a escuta. Em algumas dinâmicas, o candidato precisa explicar o ponto de vista de outro integrante, e só consegue quem prestou atenção. Em tarefas práticas, lembra o texto, os grupos que mais se destacam às vezes nem terminam a tarefa, mas funcionam bem como equipe.

Como se sair bem em dinâmica: 6 cuidados

Não existe roteiro pronto, porque cada grupo e cada desafio mudam a conversa. Alguns cuidados, porém, valem para qualquer formato.

  1. Leia o enunciado com calma. Antes de propor soluções, garanta que todos entenderam o problema. Voltar ao pedido original quando o grupo se dispersa é uma contribuição valiosa.
  2. Fale com conteúdo. Uma intervenção que move a discussão vale mais do que várias que repetem o que já foi dito.
  3. Escute e retome. Citar a ideia de alguém (“como a Ana disse, se a gente focar em...”) mostra escuta e ajuda o grupo a avançar.
  4. Inclua quem está quieto. Perguntar a opinião de um colega que ainda não falou é sinal de colaboração, não de fraqueza.
  5. Cuide do tempo. Propor um plano simples para o tempo disponível ajuda a equipe a chegar à apresentação com o projeto pronto.
  6. Discorde sem atacar. Dá para questionar uma proposta com respeito, apresentando o motivo e uma alternativa.

Os erros que mais custam pontos

  • Dominar a conversa. Liderar não é falar o tempo todo nem decidir sozinho. Quem atropela o grupo mostra pouca colaboração.
  • Sumir. O erro oposto também pesa: sem participação, não há o que avaliar.
  • Atuar para a banca. Olhar para os avaliadores a cada fala ou exagerar atitudes soa artificial. O foco é o grupo.
  • Distribuir papéis por imposição. Organizar a equipe ajuda; mandar em quem acabou de conhecer, não.
  • Terceirizar o raciocínio para a IA. Copiar a primeira resposta da ferramenta sem discutir nem conferir mostra justamente o contrário de pensamento crítico.
  • Competir com os colegas. Na dinâmica, os outros candidatos são parceiros de projeto. Tratar o grupo como adversário prejudica todo mundo, inclusive você.

Como se preparar para o dia

A melhor preparação é praticar trabalho em equipe antes da seleção. Projetos da escola, grêmio, esportes coletivos, voluntariado e olimpíadas em grupo treinam exatamente o que a banca observa. Acompanhar notícias de negócios e tecnologia também ajuda a chegar com repertório para o projeto empreendedor.

Vale ainda experimentar ferramentas de inteligência artificial em tarefas reais, como pesquisar um mercado ou organizar ideias para uma apresentação, e treinar o hábito de conferir o que a ferramenta entrega.

No fim do dia, a apresentação mostra o projeto. O caminho até ela mostra o candidato.

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