Sustentabilidade nas empresas: como transformar ESG em estratégia de negócio
EXAME Saint Paul
•17 de setembro de 2026

Sustentabilidade passou a ser um ativo importante na avaliação das empresas (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
A sustentabilidade deixou de ser uma pauta restrita às áreas de ESG e passou a fazer parte de decisões relacionadas a custos, investimentos, riscos, inovação e competitividade.
Para as empresas, o desafio já não é apenas definir metas ambientais, mas transformar essas metas em ações concretas e integradas ao negócio.
Em 2026, 57% das empresas industriais brasileiras afirmam adotar pelo menos uma prática de economia circular, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Entre os benefícios, 40% apontam a redução de custos operacionais como principal ganho esperado e outros 40% afirmam já obter retorno financeiro com essas iniciativas.
O desafio de colocar sustentabilidade na estratégia
Um dos principais obstáculos para avançar na agenda ESG é transformar sustentabilidade em uma questão estratégica para toda a organização.
Isso significa levar a discussão para conselhos, diretoria, operações, finanças, compras e desenvolvimento de produtos — e não concentrá-la em uma única área.
Esse foi um dos temas discutidos no terceiro encontro do Business Impact Network (BIN) de ESG, realizado na Saint Paul Escola de Negócios, que reuniu líderes para compartilhar experiências sobre os desafios da implementação de práticas sustentáveis.
Uma das questões levantadas foi justamente como demonstrar para a liderança que sustentabilidade também envolve gestão de riscos e oportunidades financeiras.
Descarbonização deixa de ser apenas uma meta ambiental
A redução das emissões de gases de efeito estufa é uma das principais frentes da agenda empresarial.
Setores como cimento, siderurgia, mineração, petróleo e agropecuária enfrentam desafios particulares por dependerem de processos com alta intensidade de emissões.
Nesse contexto, tecnologias de descarbonização, como captura e armazenamento de carbono (CCS), utilização de carbono (CCU), eletrificação e fontes renováveis, ganham espaço.
Mas tecnologia, sozinha, não resolve o problema. As empresas precisam avaliar viabilidade econômica, infraestrutura, disponibilidade de energia, cadeia de fornecedores e impacto sobre seus produtos e operações.
O próprio Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) aponta a descarbonização como uma competência operacional da agenda empresarial de sustentabilidade em 2026.
Economia circular pode reduzir custos e gerar novos negócios
Outra frente importante é a economia circular, que busca manter materiais e produtos em uso pelo maior tempo possível e reduzir o desperdício de recursos.
Na prática, isso pode envolver:
- Redução do uso de matérias-primas;
- Reaproveitamento de resíduos;
- Produtos com maior durabilidade;
- Logística reversa;
- Reciclagem;
- Reparo e manutenção;
- Desenvolvimento de novos modelos de negócio.
A pesquisa da CNI mostra que essas práticas já estão presentes em parte relevante da indústria brasileira. Entre as empresas pesquisadas, 32% garantem ou realizam a reciclagem de seus produtos, 26% fazem logística reversa e 26% incorporam materiais reciclados ou recuperados.
Ao mesmo tempo, ainda existem obstáculos. A falta de demanda por produtos e serviços circulares é apontada por 25% das empresas como uma das barreiras à expansão desse modelo.
Isso mostra que a transição depende não apenas de novas tecnologias, mas também de mudanças nos modelos de negócio e no comportamento do mercado.
Sustentabilidade também envolve dados e transparência
Outro desafio para as empresas é transformar compromissos ESG em informações confiáveis.
A agenda de sustentabilidade está cada vez mais ligada a indicadores, gestão de riscos e prestação de contas. Para companhias abertas brasileiras, a partir do ano-base de 2026, os relatórios de sustentabilidade passam a seguir obrigatoriamente padrões internacionais ISSB/CBPS, com primeira publicação prevista até 2027.
Esse processo exige integração entre diferentes áreas da empresa. Na prática, ESG passa a exigir o mesmo rigor de outras informações estratégicas do negócio.
O papel da liderança
A transformação sustentável depende de decisões de longo prazo, mas também precisa estar conectada às prioridades atuais da empresa.
Cabe à liderança definir quais temas são mais relevantes para o negócio, estabelecer metas, acompanhar indicadores e direcionar investimentos.
Também é necessário envolver fornecedores, colaboradores e parceiros. Uma estratégia de sustentabilidade dificilmente avança quando está limitada aos projetos de uma única área.
A colaboração entre empresas, governo, universidades e diferentes setores da economia também pode acelerar o desenvolvimento de tecnologias e soluções.
Como transformar ESG em ação
Uma estratégia empresarial de sustentabilidade pode começar por algumas perguntas:
- Quais são os principais impactos e riscos do negócio?
- Onde existe maior potencial de redução de custos ou desperdícios?
- Quais mudanças regulatórias podem afetar a empresa?
- Que tecnologias podem acelerar a transição?
- Como medir o resultado das iniciativas?
A partir dessas respostas, sustentabilidade deixa de ser apenas um conjunto de compromissos e passa a fazer parte da tomada de decisão.
O desafio para as empresas não é simplesmente adotar mais iniciativas ESG. É identificar onde a sustentabilidade pode reduzir riscos, aumentar eficiência, gerar inovação e preparar o negócio para as mudanças que já estão acontecendo.
