Como fazer negócios com a China? Veja os desafios e oportunidades do mercado chinês

EXAME Saint Paul

22 de setembro de 2026

Bandeira da China

Bandeira da China (Getty Images)

A China se consolidou como uma das principais economias do mundo e um mercado estratégico para empresas que buscam oportunidades de negócios, inovação e expansão internacional.

Mas fazer negócios com o país exige mais do que conhecer o tamanho de seu mercado: é preciso entender sua cultura, dinâmica econômica, ambiente regulatório e comportamento do consumidor.

Esses foram alguns dos principais aprendizados do evento “Download China: 5 dias de imersão, 3 horas de compartilhamento”, realizado a partir do módulo internacional “Doing Business with a Changing China”, em parceria com a Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB).

Exclusivo para alunos e alumni dos High Impact Programs da Saint Paul, o módulo proporcionou uma imersão nas transformações econômicas, sociais e tecnológicas da China.

O encontro foi moderado por Christiane Aché, Diretora do Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), e Ana Paula Zamper, Diretora do Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, CEOs, Conselheiros e Acionistas.

Por que a China é estratégica para os negócios?

A transformação econômica chinesa nas últimas décadas alterou o peso do país na economia global e criou um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Christiane Aché abriu o evento destacando a dimensão dessa transformação. Em 1976, a China representava cerca de 4% da economia global. Desde então, o país passou por décadas de crescimento acelerado, acompanhadas por mudanças sociais e avanços em infraestrutura, educação e tecnologia.

Ana Paula Zamper também destacou a evolução de indicadores sociais. Entre 1978 e 2020, a expectativa de vida no país aumentou 15 anos, chegando a 78 anos.

Para Christiane, o desenvolvimento econômico precisa estar acompanhado de avanços sociais. O investimento em educação e qualificação profissional é um dos elementos dessa estratégia.

Desde 1978, cerca de 6,5 milhões de chineses estudaram fora do país, dos quais aproximadamente 4 milhões retornaram à China. O movimento contribuiu para a formação de profissionais e para a circulação de conhecimento entre o país e o exterior.

O que a China ensina sobre tecnologia e inovação?

A inovação é outro elemento central para entender a transformação da economia chinesa. O país ampliou investimentos em pesquisa, desenvolvimento e formação de profissionais nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Durante o evento, Ana Paula Zamper destacou também a capacidade das empresas chinesas de utilizar tecnologia e dados para transformar a experiência do consumidor.

Um dos exemplos discutidos foi o avanço de plataformas digitais e de modelos de recomendação baseados em algoritmos. A capacidade de combinar tecnologia, escala e conhecimento sobre o comportamento do consumidor tornou-se uma característica importante do ambiente de negócios chinês.

Aline Sordili, Diretora de Conteúdo Playplus na Record, resumiu a dimensão desse mercado ao afirmar que “a China consome tudo”. A observação chama atenção para a escala do mercado consumidor e para a abertura a novos produtos, serviços e soluções tecnológicas.

Ao mesmo tempo, a capacidade de inovação do país envolve desafios. Lucila Carvalho, diretora da Lima Netto Carvalho Abreu Mayrink Sociedade de Advogados, destacou que a China apresenta grande capacidade de escalar soluções, enquanto a criação de novos produtos e conceitos continua sendo um dos pontos de discussão sobre o modelo chinês.

Como a China está avançando em sustentabilidade e energia renovável?

A transição energética também ocupa espaço importante na estratégia econômica chinesa.

Segundo os dados apresentados durante a imersão, a China se tornou responsável por uma parcela significativa da capacidade global de geração de energia renovável, com destaque para a expansão da energia solar.

Empresas chinesas também ganharam protagonismo na cadeia global de energia limpa. A Jinko Solar, por exemplo, tornou-se uma das maiores fabricantes de painéis solares do mundo.

O avanço da economia verde mostra como políticas públicas, escala industrial, tecnologia e investimento podem atuar conjuntamente na formação de novos mercados.

Como fazer negócios com a China?

Para empresas que desejam entrar no mercado chinês ou estabelecer relações comerciais com companhias do país, conhecer o mercado local é apenas o primeiro passo.

Durante a imersão, Ana Paula Zamper destacou alguns fatores importantes para empresas interessadas em fazer negócios com a China:

  • Pesquisa de mercado: entender o comportamento do consumidor, a concorrência e as particularidades do setor antes de entrar no país;
  • Conformidade regulatória: conhecer as regras locais e garantir que operações, produtos e contratos estejam de acordo com a legislação;
  • Relacionamento com parceiros locais: construir relações de confiança pode ser fundamental para desenvolver negócios no mercado chinês;
  • Adaptação: produtos, serviços e estratégias podem precisar ser adaptados às características do consumidor e do ambiente empresarial chinês;
  • Conhecimento cultural: compreender a cultura de negócios do país ajuda a reduzir ruídos de comunicação e facilita a construção de relações comerciais.

O que é guanxi nos negócios com a China?

Um dos conceitos importantes para quem pretende fazer negócios na China é o guanxi, termo utilizado para descrever redes de relacionamento, confiança e reciprocidade.

No ambiente empresarial, a construção de relacionamentos pode ter papel relevante na criação de parcerias e na condução de negociações. Por isso, estabelecer conexões locais e desenvolver relações de longo prazo pode ser parte importante da estratégia de empresas estrangeiras que atuam no país.

Quais são os desafios para empresas estrangeiras na China?

O tamanho do mercado chinês não elimina os desafios para empresas internacionais.

Além das diferenças culturais e regulatórias, companhias estrangeiras precisam considerar a dinâmica competitiva local, o ambiente tecnológico e as características específicas do consumidor chinês.

Durante o evento, também foram discutidas questões sociais e políticas que fazem parte da realidade do país, como a representatividade feminina em posições de liderança e as restrições à liberdade de expressão.

Para empresas multinacionais, compreender esse contexto é importante para avaliar riscos, oportunidades e estratégias de atuação no mercado.

O que empresas brasileiras podem aprender com o mercado chinês?

A experiência chinesa oferece aprendizados que vão além da relação comercial entre os dois países.

A combinação de escala, investimento em tecnologia, formação de talentos, inovação, infraestrutura e desenvolvimento de novos mercados ajuda a explicar a transformação da economia chinesa nas últimas décadas.

Ao mesmo tempo, a experiência mostra que estratégias desenvolvidas em um mercado específico não podem necessariamente ser reproduzidas de maneira automática em outros países. Conhecer o contexto local e adaptar modelos de negócios são etapas fundamentais para empresas que desejam atuar internacionalmente.

Como resumiu Lucila Carvalho durante o encontro:

Nosso papel não é dar as respostas, mas fazer as perguntas certas, e isso exige conhecimento.

Nesse sentido, entender a China significa não apenas acompanhar o crescimento de uma potência econômica, mas também observar como empresas, governos e líderes estão respondendo às transformações provocadas por tecnologia, inovação, sustentabilidade e mudanças no comportamento do consumidor.